A GAIVOTA

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LA INFANCIA DE JESÚS
                                LA INFANCIA DE JESÚS

Não se surpreendam, título em espanhol.
Em fins de fevereiro passado, sem esperar, por não estar nada programado, passei um fim de semana em Punta del Leste, conhecido balneário uruguaio. Hospedado no Conrad, sem dúvida o melhor hotel do lugar. Além de suas primorosas acomodações, possui um belíssimo cassino, onde costumo passar algumas horas, somente entretido nas máquinas caça-níqueis. Às vezes ganho, mas na maioria, fico sem uns dólares. Coisa pouca. Mas, a sorte, em outra ocasião, já me acompanhou, tendo sido aquinhoado com uma boa quantia de U$.
Chegamos numa quinta-feira. Na sexta, logo cedo, para não perder o costume, saí para uma caminhada, e depois, após o café, me dirigi à piscina, que é de uma beleza deslumbrante. Sem ter levado qualquer tipo de passatempo, senti que somente ficar olhando a paisagem, a permanência ali se tornaria monótona. Decidi, então, ir ao recanto comercial do hotel, à procura de algo que pudesse preencher meu tempo, como palavras-cruzadas, uma revista, ou coisa parecida. Localizei uma loja de conveniências. Apareceu um problema com o qual não havia contado. Tudo era em língua espanhola. Cheguei até a parte de uma pequena livraria, todos os livros escritos naquele idioma.
Folhei alguns, e me detive num cujo título era LA INFANCIA DE JESÚS, de autoria do escritor J.M.Coetzee, inclusive possuidor de um Nobel. Nas rápidas folhadas, logo me interessei, pois, sem ser um profundo conhecedor da língua espanhola, conseguia entender, perfeitamente, o sentido do que lia, claro que sem saber traduzir certos vocábulos. Um linguajar bem simples e atraente. Na piscina, de posse do exemplar, comentando com um amigo, muito culto, aliás, fiquei sabendo tratar-se o autor, de famoso escritor sul-africano.
A história, como o título pode dar a impressão, nada tem de ver com a religião, com a vida de Jesus.
Trata-se, sem se saber como as coisas se sucederam, da viagem de um cidadão e de um menino de uns cinco anos, num navio indo para um país desconhecido, esquecendo o passado, à procura da mãe do pequeno. Aprenderam, logo, o idioma do lugar, ou seja, o espanhol. O cidadão arruma um emprego, torna-se benquisto pelos colegas, e o menino, de uma inteligência fora do normal, faz acontecer uma série de contratempos, mormente, após ter sido entregue a uma mulher, a pretexto de ser sua mãe. O que há de mais interessante na história, são os diálogos do cidadão com seus companheiros de serviço, estivadores, ao filosofarem sobre o tema dignidade do trabalho.
Muito interessante o livro. Recomendo.
Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 31/03/2015


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