A GAIVOTA

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O TUNEL DO TEMPO
O TUNEL DO TEMPO

  

Naquele belo domingo de início da primavera, Márcia, Alberto e os sobrinhos Marília e Gabriel, conforme planejaram, às nove horas já estavam na plataforma 2 da estação ferroviária de Santo André. Todos ansiosos para chegarem ao destino, Paranapiacaba, onde estava sendo realizada a I FLIPARANAPIACABA, feira de literatura promovida por um grupo de literatos de Santo André.
A chegada da composição não demorou. Sua lotação estava regular, de modo que o grupo não teve dificuldade em adentrar no trem, e de se acomodar num conjunto de poltronas próximas.
Paranapiacaba, como todos sabem, trata-se de um distrito histórico do município, que nasceu em virtude da estrada de ferro construída pelos ingleses que vieram explorar o transporte, originando no local uma típica vila inglesa.
Ela fica bem no alto da Serra do Mar. Dali, como o significado do nome indica, traduzindo-se do tupi-guarani, avista-se o mar, numa paisagem deslumbrante. Seu trajeto até o litoral é íngreme, sendo que a descida de trem é feita através do chamado sistema “endless hope” (sem fim), o funicular. A paisagem é maravilhosa, pois, além da mata densa, há inúmeras cachoeiras, atraindo os praticantes de esportes radicais, que utilizam o caminho para chegarem ao litoral. É deveras perigosa a descida a pé, sendo comum grupos se perderem durante o trajeto.
Bem, além de usufruírem a beleza natural do lugar, Márcia, Alberto e os sobrinhos, iam com o objetivo de visitar a feira de literatura, como amantes que são de livros.
A viagem não é demorada, mesmo porque, após a parada em Santo André, a composição segue direto até o local desejado. Sendo uma região montanhosa, a estação férrea fica na parte baixa da vila, enquanto que as atividades da feira, no Clube Lyra Serrano, se realizam no alto.
Porém, ao descerem do trem algo inesperado, diferente aconteceu.
Uma nuvem, uma bruma desceu sobre eles, não demorando mais que alguns segundos, e eles se viram saindo de um verdadeiro túnel do tempo, vestidos à moda da época imperial em que viveu Irineu Evangelista de Souza, o Barão e Visconde de Mauá, o idealizador e custeador da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em 1867. Os construtores ingleses denominaram-na São Paulo Railway Company-SPR. Seria sua inauguração. Num lampejo, leram cartazes anunciando a presença, naquela hora e dia, daquele a quem se devia a existência do lugar, o Visconde. O Imperador Dom Pedro II, por motivos de saúde, não poderia comparecer.
Todavia, tal como aconteceu, em segundos se deu a volta à realidade, e Márcia, Alberto, Marília e Gabriel seguiram o caminho em direção ao local do evento, ainda aturdidos pelo insólito acontecimento de que foram personagens.
Por alguns momentos, foram como membros da corte real brasileira.
Dias depois, pela manhã, encontraram sob a porta, as fotografias dentro de um envelope onde se lia:
Com os cumprimentos do Senhor Irineu Evangelista de Souza, Barão de Mauá...
Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 01/12/2014
Alterado em 26/08/2015


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