A GAIVOTA

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                               O BOI
 
Incluo, também, seu lado feminino, a vaca. É um animal simpático, sendo sua carne, acho eu, a mais apreciada entre todas. Dizem que do boi nada se perde. Dele saem os botões, pentes, adubo, todos provenientes do osso. Do chifre, o berrante, instrumento de comunicação do vaqueiro, assim como o couro, com diversas utilizações tais como tapetes, casacos, calçados. Mas, o principal é a carne, seja de que parte for, toda ela a matéria prima dos pratos encontrados na gastronomia. Até na economia, a presença do gado bovino tem grande participação, fazendo parte de cotação diária do preço para negociação, pelo peso (arroba), nas diversas regiões do Brasil.
E o leite, alimento indispensável à saúde, se bem que, atualmente, têm surgido opiniões divergentes quanto a sua validade. Todavia, seus derivados têm importância demasiada, na indústria de laticínio, iogurtes, requeijão, bebidas lácteas, e principalmente, de queijos.
Não é um animal feroz. Só mesmo quando atiçado, como nas touradas, e naquelas brincadeiras tolas e de mau gosto, que se vêem em certas cidades, como nas ruas de Pamplona (Espanha), onde diversos bois, soltos, perseguem a população, e em outras de Santa Catarina, nas chamadas “farra do boi”. Também, são perigosos quando acuados nos pastos, não escolhendo direção a seguir, senão aquela de se safar do obstáculo. Certa ocasião, estando em companhia do amigo Duílio Pisaneschi, em uma fazenda em Descalvado (SP), onde ele fora negociar gado, entramos num pasto, e não sei por que cargas d’água a manada se assustou vindo em nossa direção. Sorte que tivemos tempo para transpor a cerca, entre os arames farpados, caso contrário a tragédia teria se consumado.
Entretanto, apesar de simpático, manso, o gado bovino é muito utilizado em frases, ditos populares, muitas vezes de modo negativo. Outro dia mesmo, nossa presidente prometia não fazer tal coisa “nem que a vaca tussa”. Outros usam a expressão “conversa para boi dormir”, em caso de diálogo sem interesse. “A vaca foi para o brejo” usa-se para definir uma situação que não tem mais jeito de ser solucionada, bem como “boi de piranha”, quando alguém é escolhido como vítima para livrar outrem de situação embaraçosa. Outra, bem comum, é a que define o fim de qualquer atitude, se esta não for usada a tempo: “onde passa um boi, passa uma boiada”, ou a “dou um boi para não entrar na briga, e uma boiada para não sair”, sem necessidade de explicação. 
Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 29/09/2014


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