A GAIVOTA

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                                   ACONTECEU NA PRAÇA

Já disse, em certa ocasião, que para se escrever uma crônica, basta você botar o pé fora da porta de casa. Dificilmente, fico sem presenciar qualquer cena, que me dê motivo para relatar o fato.
Dias atrás, numa quarta-feira, voltava eu de um plantão que dou na Unimed do ABC, na área jurídica, e ao atravessar a Praça do Carmo, Em Santo André, onde se situa nossa catedral, algo aconteceu que me causou certo espanto. Nesse dia da semana, costuma haver ali uma feira de artesanato, quando o movimento de pessoas é acima do normal.
Alertado por uns gritos, vislumbrei um cidadão deitado no chão, com outro lhe fazendo massagem cardíaca, e uma senhora ao lado, ajoelhada, desesperada, pedindo socorro.
Uma cena bem desagradável. Em dado instante, o cidadão começou a dar certos trancos no corpo, evidenciando ter entrado em convulsão. A mulher continuava a gritar, solicitando ajuda, quando percebi no cidadão que passava mal, grande mancha de sangue localizada em uma de suas têmporas.
Confesso que não tenho a mínima condição de prestar qualquer tipo de socorro, numa situação dessas. Pensei, cá comigo, que médico que seria eu, se seguisse a vontade de meus pais.
Segui caminho, em direção ao meu escritório, que fica nas redondezas. Ao olhar para trás, vi os três personagens já em pé, e a figura central do acontecido, carregando um tronco de árvore, feita, creio, de uma material leve, dada a facilidade com que o carregava. E, vi, também, a amiga Angélica, gerente do restaurante onde costumo almoçar, vindo em minha direção. Ao comentar com ela o sucedido, já que estava mais perto do fato acontecido, informou-me que se tratava de uma simulação de primeiros socorros, feita por atores devidamente treinados.
Não contesto a validade de ações como a presenciada, afinal, sempre estamos sujeitos a topar com esse tipo de cena, e, quem sabe, tomar a atitude de prestar o devido socorro. Não é o meu caso, como já disse.
Todavia, que nos leva a um choque, isso leva!
Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 14/03/2014
Alterado em 14/03/2014


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