A GAIVOTA

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                                   ÁGUAS DA PRATA

Desde menino fui acostumado a repetir viagens turísticas para os mesmos lugares. Assim foi durante minha infância e juventude, sendo Poços de Caldas e Santos os escolhidos. Após meu casamento com a Iara, esse foi um dos aspectos, dentre muitos outros, a coincidir nossos pontos de vista, e que contribuiu para uma vida em comum que está para completar 49 anos.
Ainda hoje temos essa mania. Em viagens do casal, vamos muito para Foz do Iguaçu, Poços de Caldas, no exterior frequentamos bastante Aruba, Orlando/Miami, Punta Del Leste, Buenos Aires.
As férias escolares dela e de nossas crianças, costumeiramente, eram passadas em Águas de Lindóia, estação de águas de nosso Estado. Raramente, escolhíamos outro local.
Precisamente, em maio de 1980, resolvemos passar o feriado do Dia do Trabalho em outra cidade, também balneária, de São Paulo. Águas da Prata. Ficamos apaixonados por ela. Pequena, a maioria das casas de turistas, paisagens maravilhosas, um presépio ao vivo e em cores.
Fazendo nossos passeios diários a pé, encontramos um prédio recém-construído, estilo colonial, com apartamentos à venda. Visitamos um. Uma graça. Para resumir, em menos de um mês já éramos proprietários de uma unidade. Em julho do mesmo ano, ainda sem estar devidamente mobiliado, acampamos no apartamento. Logo fizemos amizade com os vizinhos, a maioria, como nós, habitantes temporários de Prata. Um deles, morador em São Paulo, e que havia sido o incorporador do prédio. Mais velho do que eu, logo nos tornamos bons amigos, e, nas ocasiões em que nos encontrávamos, a convivência era aprazível. Horley Chiodi, o seu nome. As esposas se entrosaram, de modo que, a estada em Águas da Prata, sempre se tornava muito agradável. Aliás, os demais vizinhos, também pessoas simpáticas, contribuíam para constituir o prédio, verdadeira família. Em algumas ocasiões, promovemos gostosos churrascos, no espaço agradável que o condomínio possuía.
Assim, foram, para nós, dez anos de feliz permanência em Águas da Prata.
Com os filhos já entrando na fase adulta, não mais querendo acompanhar os pais, por motivos óbvios, as idas para lá foram se escasseando, tornando a propriedade um patrimônio sem sentido. Vendemos. Apesar de que, hoje, com os netos, teria ele outro significado. Mas,...
Enfim, Águas da Prata permanece em nossos sentimentos como um lugar que só nos trouxe felicidade. Temos muitas e boas recordações de lá.
Mas, por que, hoje (17/11/2013), lembrei-me de Prata?
Porque, ao ler Folha de São Paulo, no necrológio, vi o anúncio da missa de sétimo dia do falecimento de Horley Chiodi. Triste notícia, após nunca mais tê-lo visto.
Que descanse em paz!
 
Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 17/11/2013
Alterado em 19/11/2013


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