A GAIVOTA

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CENAS DO PASSADO!
CENAS DO PASSADO!

Nos anos 1957 e 1958 foram muito famosos os bailes de formatura realizados nos salões do Aeroporto de Congonhas. Morava na Vila Mariana, bem perto do Arquidiocesano, junto com meus pais.
No porta-malas do carro, o Simca Arondi dado por meu pai, como já escrevi em outro lugar, guardava a farda do CPOR, e o smoking, traje obrigatório para participar daquelas festas.
Mantínhamos uma rede de comunicação entre os amigos da época, para estarmos a par da realização dos bailes, bem como para obtenção dos devidos convites de entrada. Dificilmente havia falhas!
Quantos namoros começaram ali, ao som das famosas orquestras de Silvio Mazzuca, Osmar Milani, Enrico Simonetti, Severino Araújo, Continental de Jaú, e tantas outras! E ali terminaram, pois não havia o mínimo interesse em se fixar numa só garota, tamanha a quantidade delas, e de tal qualidade, que não valia pena o compromisso!
Namoros fugazes!
Posteriormente, com a volta a Santo André, mudou apenas o cenário, passando o palco a ser os salões do Moinho São Jorge, nosso Palácio de Mármore.
O bar era explorado por uma família de turcos, e um deles era nosso amigo. Mas havia um barman que entrava na nossa. Era só dar uma notinha de dois cruzeiros, e bebíamos a noite inteira!

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Ainda os bailes! Tempo anterior, vivido entre os anos de 1953 a 1955.
Aos domingos, além do futebol que nunca deixei de jogar, e sem a existência de outros divertimentos, a não ser o cinema, o maior passatempo eram as matinês dançantes do Aramaçan! A sede social deste clube ficava na Alfredo Flaquer, esquina com a Abílio Soares.
Devo confessar que nunca fui um grande dançarino, um pé-de-valsa, como eram chamados os bons adeptos dos salões. Gostava mais de apreciar as garotas, tomar meus cuba-libres. Era tímido, tinha muito receio de “levar tábua”, a definição dada quando a moça recusava um convite para dançar. Era a maior vergonha que se poderia passar, quando isso acontecia! E, levei muitas!

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O citado Aramaçan promovia animados bailes durante os festejos do carnaval. Essencialmente familiar, essas festas eram muito procuradas pelos sócios, e, também, por aqueles sem vínculo com a agremiação. Em junho, havia concorridos bailes caipiras, frequentados pelas famílias tradicionais da cidade.
Meu saudoso pai foi fundador do clube, o que se deu em 1930, por um grupo de funcionários da Prefeitura de Santo André. Mesmo assim, como eu era menor, sempre tinha dificuldade de entrar no salão. Aí aparecia meu irmão mais velho, o Waldemar. Aprontava cada forrobodó dos diabos. O fiscal de entrada, seu Mauro, não deixava por menos. Sempre me barrava.
Após muita discussão, eu acabava entrando.
Numa dessas ocasiões, conheci a Wilma, minha primeira namorada. Apaixonadíssimo, durante uns dois anos! Mas, tudo passou! Coisas de um meninote que estava prestes a alcançar a maioridade!
Que bons tempos! Quanta pureza de sentimentos!
Saudades!



Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 06/06/2012


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