A GAIVOTA

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AH! MEU PORTUGUÊS!
AH! MEU PORTUGUÊS!
Acho que já deu para perceber, o quanto sou cuidadoso em trilhar o caminho do bom português, quando estou redigindo minhas crônicas.
Procuro, o máximo possível, observar as regras da gramática! Nem por isso, deixo de dar minhas derrapadas, deixando minha mulher Iara, professora das antigas, de cabelo em pé. Hoje, por exemplo, ao entrarmos na Padaria Brasileira, para o cafezinho habitual, o Professor Clóvis Roberto dos Santos, Doutor em Pedagogia, autor de múltiplos livros de sua área, com aquele seu ar circunspecto, professoral, de homem letrado, veio, com toda delicadeza, me alertar para um erro que cometi, mais de uma vez, nas crônicas constantes de meus livros.
“Você ao dizer há tempos atrás, comete um equívoco”. De pronto, concordei. Até lhe disse, que seria como dizer subir para cima.
Ao chegar em casa, comentei com a Iara, tendo ela me informado tratar-se de um pleonasmo vicioso. Isto é, um erro de português!
Então meus amigos, ao lerem meus livros, por favor, relevem esse arranhão que cometi. Deve ele aparecer em diversas ocasiões, pois a tônica de meus escritos é o passado, o que sugere sua repetição.
O que me deixa até certo ponto tranquilo, que tal erro não se trata de um fim de mundo, é que autores renomados, ao cometer igual impropriedade, sempre se justificam afirmando tratar-se de um “reforço” na expressão, com a intenção ficar bem gravada a ideia (não tem mais acento, pela nova ortografia) transmitida.
Agora pouco, ao ler as mensagens eletrônicas em meu computador, anotei num trecho de carta enviada por Fernando Sabino à consagrada escritora Clarice Lispector, ele cometer alguns lapsos, tais como, usar “porisso”; a concordância errada ao tratar a correspondente usando a terceira pessoa do singular (você), e, em dado momento, referir-se a “te”. Ora, o Fernando Sabino, famoso escritor!
Sem querer procurar motivos outros para justificar os possíveis erros cometidos, o que nos leva a perpetrá-los, também, é a linguagem doméstica. No dia a dia, falamos certas palavras ou expressões que, muitas vezes, sem querer, acabamos por incorporá-las ao escrever.
Acima citei a nova ortografia! Adianto a todos os leitores de meus livros, que sou um daqueles que não está de acordo com ela! Acho que não tem nenhum sentido a reforma proposta, em sua maioria de aspectos. Não tenho nada contra, por exemplo, a eliminação do trema. Não tem odor. Agora, em sã consciência, modificar ou criar novas regras de acentuação, de colocação do hífen, como se isso viesse trazer qualquer melhoria para a língua, trata-se de um absurdo. Um número incalculável regras e outro de exceções! Só para complicar!
Os casos que gravei, como a acentuação das palavras com ditongo aberto, ex. joia, geleia, ideia, e da utilização do hífen, como é o caso da expressão dia a dia, acabo procurando obedecer. O resto...!

Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 10/05/2012


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